Barra Mansa realizou, na noite de segunda-feira (17), o 2º Workshop Vozes de Proteção, no Salão Nobre do UBM. O encontro integrou a programação do Agosto Lilás, marcou os 20 anos da Lei Maria da Penha e reuniu autoridades, profissionais da rede de proteção, estudantes, representantes da sociedade civil e instituições que atuam no atendimento às mulheres.
A programação teve apresentação de alunos do Curso de Música do Centro Universitário e uma roda de conversa com profissionais que atuam diretamente no enfrentamento à violência contra a mulher. O debate abordou avanços da Lei Maria da Penha, desafios ainda presentes e a importância da atuação integrada entre instituições para acolhimento, orientação, proteção e acompanhamento das vítimas.
Participaram da roda de conversa a delegada Juliana Montes, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam); o sargento Barreiro, da Patrulha Maria da Penha; o promotor de Justiça Plínio D’Avila, do Ministério Público; Stefane Duarte, coordenadora do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam); e Tamires Ferreira, diretora de Direitos Humanos e Proteção Social Especial.
O sargento Barreiro destacou a parceria entre a Patrulha Maria da Penha, a Prefeitura de Barra Mansa, a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos e o Ceam.
– A parceria com a Prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, e, principalmente, com o Ceam, é fundamental para o nosso trabalho. Essa integração fortalece a rede e permite que a mulher tenha um atendimento mais completo, porque a Polícia Militar atua na proteção, mas precisa contar com os demais serviços para garantir acolhimento, acompanhamento e continuidade desse atendimento. É uma parceria que vem contribuindo muito para o fortalecimento da proteção às mulheres em Barra Mansa.
Segundo dados apresentados pela Polícia Militar durante o workshop, cerca de 1.300 mulheres possuem atualmente medidas protetivas ativas na área de atuação das equipes da Patrulha Maria da Penha vinculadas ao 28º Batalhão de Polícia Militar (28º BPM).
Para a secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Joseane Ricarte, a atuação conjunta dos órgãos é essencial.
– Nenhuma instituição consegue fazer esse trabalho sozinha. A proteção acontece quando Governo Municipal, Judiciário, polícias especializadas, Ministério Público e toda a rede trabalham de forma integrada. É essa união que permite que a mulher seja acolhida, orientada e protegida, desde o primeiro atendimento até o acompanhamento necessário para que possa romper o ciclo da violência.
O workshop também teve depoimento de Andréa Costa, sobrevivente da violência doméstica, que relatou ter sido atingida por um tiro no rosto enquanto dormia, disparado pelo próprio marido, que depois tirou a própria vida. O relato emocionou o público e reforçou a discussão sobre acolhimento e reconstrução da vida após a violência.


